Dia Mundial dos Oceanos: O Branqueamento dos Corais

Hoje é o Dia Mundial dos Oceanos, mas infelizmente temos poucas razões para comemorar. Nos últimos meses, em meio ao caos da pandemia do Coronavírus, inúmeras notícias passaram despercebidas, mas uma situação recorrente chamou a nossa atenção. Outra epidemia se alastra pelo litoral do Nordeste, numa região que vai do Rio Grande do Norte ao norte da Bahia. Resultado de uma duradoura onda de calor marinha, associada a uma anomalia de ventos, os corais do Nordeste vem sofrendo um branqueamento em massa. A intensidade desse fenômeno está diretamente relacionada ao aquecimento global e ao super aquecimento dos oceanos. 

Poucos sabem mas os corais são animais marinhos, que para sobreviver fazem uma associação simbiótica com microalgas que vivem em seus tecidos, as zooxantelas. Além de darem ao coral sua coloração variada e vibrante, essas microalgas são sua fonte de oxigênio e responsáveis por 70% de sua alimentação. Quando a temperatura da água aumenta, essas microalgas começam a se multiplicar demais e acabam incomodando os corais que, por sua vez, começam as expulsá-las, que deixam para trás um tecido transparente e um esqueleto branco. 

Muitos veem o aquecimento global como se fosse uma questão estritamente relacionada ao ar, e acabam pensando se um aumento de 1 ou 2 graus na temperatura do planeta é realmente relevante. O que a maioria das pessoas não sabe é que 93% do calor que fica retido na atmosfera é absorvido pelo oceano. Quando falamos sobre o oceano, é como se a temperatura do nosso próprio corpo estivesse aumentando, e se ela aumenta de 1 a 2 graus por um longo período de tempo, pode ser fatal. O branqueamento dos corais é uma resposta ao estresse, assim como a febre nos humanos. Portanto, pode ser entendida como uma doença ambiental. 

De acordo com o documentário “Em busca dos Corais” realizado pela organização “Chasing Coral”, nos últimos 30 anos nós perdemos 50% dos corais do mundo. Isso é um verdadeiro desastre, dado que  25% de toda a vida marinha depende dos recifes de corais. Mas não apenas a vida marinha será afetada, pois de 0,5 a 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo têm nos recifes a sua principal fonte de alimentação. Os recifes de corais formam grandes barreiras que nos protegem contra grandes ondas e ciclones. Além disso, muitos dos remédios que surgem para curar doenças humanas vêm do mar, principalmente medicamentos de combate ao câncer. “Há tantas coisas que aindas não sabemos e que podem ajudar a sociedade, por meio de componentes químicos que achamos nos corais.”

Em 2016, essa mesma organização acompanhou a morte de 29% da Grande Barreira de Corais na Austrália. Com o rumo que vem tomando o aquecimento dos oceanos, em cerca de 25 anos as águas ficarão quentes demais para os recifes sobreviverem, eles branquearão a cada ano e podem não se recuperar. Mas é importante ressaltar que não é tarde demais para os recifes de corais e os demais ecossistemas. Ainda é possível reduzir a taxa de mudança climática. 

Segundo Guilherme Longo, pesquisador do departamento de Oceanografia e Limnologia da UFRN, o branqueamento dos corais funciona como uma febre: é um sintoma de que algo está errado, mas que se a situação mudar, ele se recupera. Portanto, é reversível. É com essa esperança de recuperação que o pesquisador está à frente do projeto “De Olho nos Corais” que prega a importância da ciência cidadã em que cidadãos comuns participam da coleta de dados científicos. Assim, qualquer pessoa que vir um coral e tiver a chance de fotografá-lo poderá compartilhar o registro através das redes sociais. 

“Dessa forma conseguimos analisar a saúde dos corais em outras regiões e garantimos um monitoramento amplo. Para isso, o envolvimento das pessoas é importantíssimo e nesse sentido o turismo se faz peça fundamental. Esse conhecimento gera uma mudança no comportamento das pessoas. É o famoso conhecer para conservar.”

Conheça um pouco mais sobre essas lindas iniciativas!

www.chasingcoral.com

https://www.instagram.com/deolhonoscorais/

Assista ao documentário “Em Busca dos Corais”

https://www.youtube.com/watch?v=aGGBGcjdjXA

Fontes:

Pesquisadores da UFPB alertam sobre branqueamento de corais no Seixas e Bessa, em João Pessoa

Mergulhadores registram branqueamento de corais em Fernando de Noronha

Branqueamento massivo dos corais preocupa pesquisadores do Rio Grande do Norte

https://projetocolabora.com.br/ods13/corais-do-nordeste-tem-branqueamento-em-massa/

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