Dia Mundial do Meio Ambiente: Desmatamento na Amazônia atinge nível recorde

História

Hoje, 05 de junho, é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data foi criada pela ONU no ano de 1972 na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano realizada em Estocolmo. O dia foi instituído com o objetivo de chamar atenção para os problemas ambientais e para preservação dos recursos naturais que eram vistos até então como inesgotáveis. 

Em 2020, 48 anos depois, essa data tem mais relevância do que nunca, já que no primeiro semestre deste ano o desmatamento na Amazônia atingiu nível recorde.  

A situação da Amazônia Brasileira

Estima-se um aumento de 51% do desmatamento na Amazônia Legal em relação aos três primeiros meses de 2019, um recorde para o período desde que o Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (DETER) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) adotou a metodologia atual, há 5 anos. Os 796 km² desmatados no trimestre são o equivalente a quase 80 mil campos de futebol oficiais e são um reflexo das políticas públicas anti-ambientais que diminuem a proteção da Amazônia.

Os povos indígenas são os mais afetados 

Grande parte desse desmatamento é provocado por madeireiros, grileiros e garimpeiros e atinge as terras indígenas. Dados do sistema Deter do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que nos quatro primeiros meses de 2020 os alertas de desmatamento em terras indígenas da Amazônia brasileira aumentaram 64% em comparação ao mesmo período do ano passado. Além de representar uma ameaça à cultura dos habitantes originários do país, as invasões desses territórios são uma porta de entrada para que o coronavírus chegue a essas comunidades, aumentando os riscos de genocídio dessa população. 

Enquanto isso “passamos a boiada”…

Nesse quadro de  destruição da maior reserva em termos de biodiversidade do planeta, as decisões do governo de Jair Bolsonaro seguem fragilizando as políticas de controle ambiental e precarizando o aparato nacional para proteção de povos indígenas no Brasil. Dentre as medidas tomadas, destaca-se a exoneração de profissionais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsáveis por operações contra garimpeiros e madeireiros ilegais na Amazônia e o congelamento nas demarcações de terras indígenas. 

E para completar, recentemente na reunião interministerial ocorrida no dia 22 de abril, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sugeriu que o governo aproveitasse o foco da imprensa na cobertura da pandemia do novo coronavírus para “passar a boiada”. A expressão significa na verdade promover mudanças nas regras ligadas à proteção ambiental e à área de agricultura, evitando assim críticas e processos na Justiça.

Fica claro que o Brasil segue na contramão das ideias defendidas na Conferência de Estocolmo e não vêm avançando para atingir os objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos pela ONU. Destaca-se aqui o objetivo de número 15 que estabelece o compromisso de proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade. 

O que fazer para reverter esse quadro?

Tendo em vista esse cenário desolador, não há muito o que comemorar no dia mundial do meio ambiente. Mas podemos usar essa data para refletir como nossas ações verdadeiramente afetam a natureza e usar tudo o que está acontecendo como oportunidade de nos informarmos e agirmos pela visibilidade da floresta. É preciso reconhecer que não somos meramente espectadores do meio ambiente, fazemos parte dele e, por isso, é nosso dever preservá-lo.

O dia 05 de junho é um lembrete de que nosso compromisso com o meio ambiente vai muito além de escolhas conscientes e mudanças de hábitos, devemos nos opor ativamente às injustiças e ameaças sofridas pelo meio ambiente e cobrar mudanças em nossas legislações e nas estruturas da nossa sociedade. 

Participar de mobilizações e campanhas, assinar petições, apoiar marcas que produzem de forma sustentável, reduzir o consumo de carne, fazer doações para instituições a favor da preservação e apoiar a resistência dos povos indígenas são só algumas das muitas ações que você pode tomar para ajudar nosso meio ambiente. 

 

Referências:

https://www.oeco.org.br/noticias/desmatamento-na-amazonia-atinge-nivel-recorde-no-primeiro-trimestre-de-2020/ http://www.inpe.br/noticias/noticia.php?Cod_Noticia=5147

https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-mundial-do-meio-ambiente-ecologia.htm

https://www.greenpeace.org/brasil/blog/desmatamento-em-terras-indigenas-aumenta-64-nos-primeiros-meses-de-2020/

https://www.brasildefato.com.br/2020/03/02/desmatamento-na-amazonia-e-maior-em-territorios-com-povos-indigenas-isolados

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2020/05/22/interna_politica,857521/salles-sugere-aproveitar-foco-da-imprensa-na-covid-para-passar-boiada.shtml

https://www.greenpeace.org/brasil/blog/ricardo-salles-deve-ser-retirado-imediatamente-do-ministerio-de-meio-ambiente/ https://nacoesunidas.org/conheca-os-novos-17-objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel-da-onu/

https://www.cartacapital.com.br/opiniao/10-acoes-praticas-para-ajudar-a-salvar-a-amazonia-e-a-voce-mesmo/

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