Desastre de Mariana

 

Em 5 de novembro de 2015, acontecia a maior tragédia ambiental já registrada no Brasil e o maior desastre do gênero no mundo nos últimos 100 anos: o rompimento da barragem de Fundão, na cidade de Mariana, Minas Gerais. A barragem de Fundão se rompeu, deixando um rastro de lama do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, até o oceano. Os rejeitos de minério alcançaram o Rio Doce, atingiram mais de 40 cidades passando também pelo Espírito Santo e mudaram a vida de milhares de pessoas. Para pior.

A avaliação do desastre está sendo realizada pelo Ministério Público Federal (MPF) e consultorias contratadas pelas empresas responsáveis pela mineradora – Samarco, Vale e BHP Billinton. A perícia preliminar identificou pelo menos 53 danos ambientais. Ao todo, 44 milhões de m³ de sedimentos vazaram da Barragem.

Mas afinal, o que era contido pela barragem?

O rejeito contido pela barragem é o que sobra do processo de beneficiamento do minério de ferro e é composto por minério de ferro, areia e água. Segundo a Samarco, ele não é tóxico, corrosivo ou inflamável, mas é um potencial poluidor quando em contato com o solo e com a água.

Um estudo da UFRJ divulgado em abril de 2017 já havia mostrado que a água de poços artesianos da região está contaminada com ferro e manganês, o que vem prejudicando as lavouras entre Minas Gerais e Espírito Santo. João Paulo Torres, chefe do programa de biofísica ambiental da UFRJ e coordenador do estudo, afirma que os metais no solo agridem as lavouras. Em algumas comunidades já não havia mais moradores. Todos abandonaram as comunidades. “Muitas lavouras até germinavam, mas as folhas se queimavam e morriam ao tocar o solo contaminado por metais altamente oxidantes”, conta.

Além disso, um estudo foi realizado pelo Núcleo de Pesquisa e Vulnerabilidade em Saúde (Naves) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Cáritas Regional Minas Gerais, que é ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e presta assistência aos atingidos. Segundo os coordenadores do estudo, a vivência do desastre e as lembranças ainda impactam na rotina dessas pessoas, que apresentaram depressão, ansiedade, insônia, aumento de problemas cardiovasculares e pensamentos suicidas, após mais de dois anos da tragédia, considerada a maior do país.

E o que foi feito até o momento atual?

A Samarco, dona da barragem, e suas controladoras, Vale e BHP Billiton, sempre se disseram inocentes e dizem que o rompimento é um acidente. A acusação de polícias e de ministérios públicos já diz que as empresas tinham conhecimento do risco de rompimento da barragem, mas a informação foi negligenciada.

A Samarco foi multada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em mais de R$ 340 milhões. Mas nada foi pago porque a empresa recorreu. Além disso, outras 36 multas foram aplicadas pelo governo de Minas. Uma delas está sendo paga em 60 parcelas, e as outras estão em fase de recurso. O processo criminal está na Justiça Federal em fase de instrução para ouvir testemunhas. Vinte e uma pessoas foram denunciadas por homicídio qualificado com dolo eventual.

Desde o acidente, a ANA (Agência Nacional das Águas) realiza um monitoramento especial no Rio Doce que abrange aspectos físicos e químicos da água para acompanhar os efeitos da catástrofe. Todas as informações, tabelas e gráficos estão disponíveis para a população no site que contém análises do Rio Doce.

O Desastre não passou e muitas feridas ainda aparecem pelo caminho…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *