Covid-19 e o Meio Ambiente: Uma Vivência Integrada

Lavar as mãos mais vezes e corretamente, cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir além de evitar o contato social. Essas são algumas medidas que podem ser feitas pela sociedade para frear a disseminação da doença que instalou uma pandemia sem pedir licença: a Covid-19. 

O tema também provoca reflexões de como o ser humano enxerga o meio ambiente: seria parte integrante dele ou algo externo? A relação socioambiental com o vírus é direta, visto que o mesmo é enquadrado como uma zoonose, ou seja, doença transmitida entre animais e humanos. E de acordo com o PNUMA, 75% de todas as doenças infecciosas emergentes são zoonóticas, isso sendo, principalmente, reflexo da invasão e destruição humana nos ecossistemas.

Mas não é de hoje que a quebra do ciclo natural vêm mostrando diversos impactos, quem não se recorda de consequências de doenças como Febre Amarela e H1N1? Semelhante à situação atual, a alteração dos hábitos sociais daquela época gerou diversos impactos ambientais, confirmando uma vivência integrada. 

Segundo pesquisadores da Universidade de Columbia, em Nova York, as emissões de CO vindos de automóveis diminui 50% em comparação ao ano passado, e na China as emissões de CO2 reduziram em 25% em apenas duas semanas. Também de acordo com o relato de inúmeros sismólogos, a paralisação acarretou a diminuição dos ruídos sísmicos, o que auxilia na pesquisa e mapeamento mais claro das zonas que sofrem com tremores, por exemplo.

A suspensão da navegação dos barcos no canal de Veneza, na Itália, também fez com que a poluição das águas reduzisse bem como tornam-se menos turvas. Já na Tailândia, próximo ao santuário de Prang Sam Yot, que recebe anualmente inúmeros turistas que alimentam macacos da região, estes acabaram guerriando em busca de alimentos para se nutrir.

A dinâmica instalada para controle da pandemia também é um fator de interação ambiental. Cresce a geração de resíduos hospitalares e domésticos, o que torna essencial a gestão correta destes, somam-se a isso o aumento do gasto de energia e água em domicílios. Em contrapartida, com a paralisação de grandes geradores de resíduos, agentes de coleta ficam sem insumo e prejudicados, como os catadores. Já o saneamento básico ineficiente em muitas áreas periféricas do Brasil também agrava o risco de transmissão do vírus.

Há preocupação com a redução populacional de primatas visto que estes são muito suscetíveis à doenças infecciosas de acordo com Johannes Refisch, diretor e coordenador do Programa da ONU “Great Apes Survival Partnership”. Outro fator preocupante é o aumento do desmatamento na região brasileira Amazônica, subindo 30% em março em relação ao mesmo mês de 2019 (INPE), visto que há diminuição da fiscalização e como consequência até mesmo disseminação de zoonoses futuras por modificações na dinâmica ambiental.

O bem-estar do indivíduo além da proteção animal e ecossistêmica são fundamentais para o fortalecimento do meio ambiente, visto que são peças integrantes do mesmo. Dessa forma, repensar o nosso estilo de vida, buscando incluir ações sustentáveis, é a chave para o equilíbrio visto que decréscimos pontuais devem ser transformados em medidas de longo prazo. 

Lembre-se: Seja solidário, lave as mãos corretamente – tenha consumo consciente de água – e evite o contato social – se puder, é pelo bem do meio ambiente!

Para saber mais sobre o Covid-19 e o Meio Ambiente, dê uma olhada nos sites abaixo, nos quais nos inspiramos para fazer este post:

GIMENES, Erick. Ação humana contra o meio ambiente causou a pandemia do coronavírus, diz pesquisador. Brasil de Fato, 2020. Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/2020/03/18/acao-humana-contra-o-meio-ambiente-causou-a-pandemia-do-coronavirus-diz-pesquisador>. Acesso em: 8 de Abril de 2020.

CARBINATTO, Bruno. Poluição atmosférica cai mundo afora com a pandemia de Covid-19. Super Interessante, 2020. Disponível em: < https://super.abril.com.br/ciencia/poluicao-atmosferica-cai-mundo-afora-com-a-pandemia-de-covid-19/>. Acesso em: 8 de Abril de 2020.

CORREIO BRAZILIENSE. Covid-19: Macacos brigam por comida após sumiço de turistas na Tailândia. Correio Braziliense, 2020. Disponível em: <https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2020/03/13/interna_mundo,834122/covid-19-macacos-brigam-por-comida-apos-sumico-de-turistas-na-tailand.shtml>. Acesso em: 8 de Abril de 2020.

SASSON, Jean Marc. Impactos socioambientais do Covid-19: de onde surgiu e para onde vamos?. DireitoAmbiental.Com, 2020. Disponível em: <https://direitoambiental.com/impactos-socioambientais-do-covid-19-de-onde-surgiu-e-para-onde-vamos/>. Acesso em: 8 de Abril de 2020.

ONU. Gestão de resíduos é vital para combater COVID-19. Organização das Nações Unidas, 2020. Disponível em: <https://www.unenvironment.org/pt-br/noticias-e-reportagens/comunicado-de-imprensa/gestao-de-residuos-e-vital-para-combater-covid-19>. Acesso em: 8 de Abril de 2020.

ANDERSEN, Inger. Declaração do PNUMA sobre o COVID-19. Organização das Nações Unidas, 2020. Disponível em: <https://www.unenvironment.org/pt-br/noticias-e-reportagens/statement/declaracao-do-pnuma-sobre-o-covid-19>. Acesso em: 8 de Abril de 2020.

REFISCH, Johannes. COVID-19 pode ameaçar a conservação de primatas. Organização das Nações Unidas, 2020. Disponível em: <https://www.unenvironment.org/pt-br/noticias-e-reportagens/reportagem/covid-19-pode-ameacar-conservacao-de-primatas>. Acesso em: 8 de Abril de 2020.

BBC News Mundo. Como as medidas contra o coronavírus estão fazendo a Terra vibrar menos. BBC Brasil, 2020. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/geral-52185577>. Acesso em: 8 de Abril de 2020.

SPRING, Jake. Coronavírus não detém madeireiros e desmatamento no Brasil aumenta. Investing, 2020. Disponível em: <https://br.investing.com/news/coronavirus/coronavirus-nao-detem-madeireiros-e-desmatamento-no-brasil-aumenta-736896>. Acesso em: 8 de Abril de 2020.

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